sexta-feira, 24 de junho de 2011

Drinks Expressos: Steinhaeger

Rituais despertam a minha atenção, por exemplo, sempre que vou iniciar a leitura dos meus e-mails, gosto ter uma xícara de café ao meu lado. Enquanto beberico, leio. Assim que o meu pai toma sua cachacinha, primeiro despeja uma pequena porção no chão: oferece ao santo, faz o sinal da cruz e depois dá uma golada. Como ele sempre diz, isso definirá se o dia será etílico ou não, depende de como ela desce. Porém sempre haverá uma careta.

Osmar sempre antes do trabalho, às 7 am (no duro), tomava uma dose de Steinhaeger para controlar os nervos. Fazia efeito, era o seu ritual, a primeira coisa que ele engolia era essa bebida. Ele entrava tremendo mais que Chevette e saí igual a um Aston Martin. Sempre reclama quando é Dubar, segundo ele, a Becosa é muito melhor e se for bem gelada, insuperável. Aliás, na categoria de café da manhã mais etílico, acho que sou perde para o Dinho que toma Bagaceira com café.

A vida do Osmar é a contagem diária dos dias para a sua justa aposentadoria, ex militar, ex marido de uma mulher generosa em suas formas, ex pai de um viciado em cocaína, hoje era apenas o segurança pessoal do seu Andonius, o grego. Ou seja, nada mais que um puxa saco que me ajudou levando o meu currículo para o meu primeiro emprego. Largou o cigarro e se lamenta amargamente do plano Collor, foi-se a quantia de sua futura posada no Ceará. Ah! Fora esfaqueado uma vez, devido suas bricandeiras de mão, volto e meia imoblizando o peão.

Torço para que ele consiga levar adiante o seu ritual até o Ceará.

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