segunda-feira, 11 de julho de 2011

Drinks Expressos - Heineken

Jaqueline para aqueles 14 anos ele era perfeita, seios avantajados, magra, engraçadinha e criminosamente ingênua. Pena que essa ingenuidade não era só sua e somada a covardia dessa idade não houve aventuras mais profundas a contar. Pior, nem uma tentativa frustrada sequer. Não posso seguir o senso comum, olho para trás e me arrependo.


Para fugir do lugar comum das camisa flanelas, bigode lápis e cobras, o Kazue no inverno de 94 inovou: Festa das Nações. No clima de despedida tomou o meu coração e me fez ser um candidato a dança típica alemã. Na verdade isso é mentira, foram os seios da Jaqueline que fizeram isso, a vi sem par e num momento de rara coragem adolescente, me ofereci. Na medida que os ensaios avançavam aquela coragem regressava ao ponto real e nem mesmo o sorriso fácil de minha musa a recarregava.


O pânico tomou conta de mim na semana derradeira, abrandada um pouco pelo espírito de Copa do Mundo, aliás, graças a este evento iniciei a apreciação de cerveja. Sei que no sábado estava bem nervoso e como era da organização tive que chegar cedo, teimava em tentar concentrar-me em ajudar o pessoal da escola. Sem sucesso.


Lauro, o ruivo, filho de Maria Alice, a professora do primário que anos depois contrataria a minha tia Xica como costureira e que tinha como irmã Natalia, que sempre suspirava pelos meninos mais velhos, devido a sua maturidade e por falar inglês, ter conhecido a Europa e ter lido o Apanhador no Campo de Centeio. Sim o esquisito, alto e fanho Lauro que também me emprestou um CD do Black Sabbath e pude conferir pela primeira vez os riffs de Tommy. Lauro bebericava sua cerveja num lata verde, estranha e logo pude conferir que era cerveja. O Kazue era estadual, todavia, metida a besta a única cerveja vendida naquela ocasião era Heineken.


Sem opção e nervoso, comprei a primeira lata de Heineken e sem qualquer problema, pois o tio que tomava conta da barraca de cerveja era friendly e vendia a qualquer um sem distinção entre homens e crianças. Confesso que a primeira vez foi curiosa pelo seu gosto mais amargo e marcante, era uma cerveja, para o meu padrão, difícil de beber. Contudo, ela me tranquilizou, dancei com a caneca na mão que por um erro de direcionamento a quebrei na execução do meu número e bebi mais três latas, que me deixaram, bem leve.


Fui me reencontrar com a garrafa e a lata verde dez anos depois...hoje sou admirador fervoroso. Que gosto de bebê-la enquanto escrevo e que talvez, o texto acima tenha influência direta do seu efeito.

2 comentários:

Híndira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Híndira disse...

E o par de seios da Jaqueline ficou lá pelas primeiras linhas.